Diferente das telenovelas que possuem, em média, duzentos
capítulos e são gravadas quase que simultaneamente com sua exibição em rede
nacional, as minisséries costumam ser gravadas por completo antes de serem
veiculadas na televisão, o que permite que a equipe de produção tenha mais
tempo hábil para realizar seu trabalho e possa se atentar aos detalhes, corrigindo eventuais erros e
discrepâncias antes do episódio ir ao ar.
Trata-se do formato mais fechado do gênero: produto
terminado antes de sua transmissão pelas emissoras, estruturalmente muito mais
coeso que a novela, com fortes marcas de autoria no texto roteirizado. A
novela, pelo contrário, dada sua enorme extensão e simultaneidade da elaboração
e da veiculação, constitui um formato muito mais poroso.(BALOGH, 2002)
Dessa forma, podemos perceber que o povo brasileiro
gosta de contar e acompanhar estórias. Apostando nessa predileção do público, a
Rede Globo investe maciçamente nos programas do gênero dedicando boa parte de
sua grade de programação a telenovelas e seriados. As minisséries são
exibidas pela Rede Globo apenas
esporadicamente, um dos motivos apontados para para explicar a preferência da
emissora em produzir mais novelas e seriados do que minisséries, segundo
Balogh:
Tais características da novela bem
como sua cotidianidade a tornam muito mais vulnerável às invasões do
merchandising tout court, bem como do merchandising social e político. A
minissérie, pelo contrário, abre pouco espaço para esse tipo de estratégia discursiva.(BALOGH,
2002)
Para Balogh, as características das minisséries
brasileiras as tornam propícias para adaptar obras literárias, pois segundo a
autora, as minisséries são o formato de ficção na televisão mais próximo da
literatura:
As marcas de autoria e a clausura
da minissérie em relação aos demais formatos de ficção na TV a tornam ideal
para as adaptações da literatura, pois o formato representa o seu congênere
mais próximo em termos audiovisuais, posto que é o produto que menos se insere
nos moldes da “estética da repetição”.(BALOGH, 2002)
